O presidente da Câmara Municipal de Contagem, vereador Alex Chiodi (Solidariedade), participou, nesta quarta-feira (03/03), da audiência pública do Rodoanel Metropolitano – Alça Oeste.
O Rodoanel tem o objetivo de deslocar o tráfego pesado de caminhões do Anel Rodoviário para quatro alças, que contornarão Belo Horizonte em pouco mais de 100 km de extensão. A Alça Oeste compreenderá o município de Contagem.
Chiodi destacou que a Câmara não é contra o desenvolvimento, mas defende que seja feito sempre de forma sustentável e atenta à preservação do meio ambiente. Além disso, o parlamentar pediu que as obras não fossem realizadas sem um profundo diálogo com os diversos setores. “Quem está na região – vive, trabalha, empreende lá – é que sabe as particularidades do local. O diálogo é muito importante para que a gente consiga permitir, sim, o crescimento, mas com muito cuidado com as áreas que precisam ser preservadas”, afirmou.
O secretário estadual de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato, garantiu que há uma grande preocupação com os impactos ambientais e que várias medidas vêm sendo adotadas nesse sentido: “Estamos considerando a Vargem das Flores como local que requer mais atenção e cuidados, temos nos empenhado em torno do licenciamento ambiental para a obra e investido, por exemplo, em caixas de contenção com tecnologia avançada para que, em casos de vazamentos, não ocorra contaminações no meio ambiente”.
O secretário explicou a trajetória do projeto e obstáculos para execução das obras. Segundo ele, todo o processo trouxe aprendizados e o objetivo agora é abrir uma única concorrência pública internacional, observando as qualidades técnicas das empresas participantes, para que somente uma empresa tanto construa quanto opere o anel. “Acreditamos que se trata de um incentivo para que a empresa construa com toda eficiência e qualidade o local que ela mesma irá gerir”, ressaltou.
A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), pontuou que “não vê ganhos para Contagem com esse projeto e que quer garantir que, ao menos, não haja perdas.” A prefeita pediu que fossem consideradas algumas questões no planejamento e traçado das obras, como um estudo para que sejam minimizados os impactos na lagoa da Vargem das Flores. Também solicitou que o início das obras não seja no sentido norte da BR-040, que abrange justamente a cidade. “Temo que o próximo governo não dê continuidade e que fiquemos com essa obra parada no nosso município”, reiterou.
O secretário disse que Contagem ganhará em termos de mobilidade, pois a obra facilitará o tráfego e desafogará o trânsito em alguns locais.
Alex Chiodi disse acreditar que é um projeto importante em termos de desenvolvimento da região, mas que a Câmara cumprirá seu papel de agente fiscalizador para garantir que seja uma obra sustentável e sem impactos negativos ao meio ambiente. “A lagoa de Vargem das Flores é a grande caixa d’água que abastece a Região Metropolitana, é a nossa maior preocupação. Ela precisa ser preservada, vamos lutar por isso”, concluiu.
Rodoanel
O Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte é uma obra esperada há mais de 20 anos para reduzir o fluxo de veículos pesados que trafegam pelo Anel Rodoviário. O projeto promete transferir aproximadamente 5 mil caminhões que passam pelo Anel por dia para o Rodoanel.
De 4,5 bilhões de reais, orçamento total da obra, entre 3,5 e 3,75 bilhões virão de um acordo indenizatório entre a Vale e o Governo de Minas. Trata-se de um acordo de reparação em razão do rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho. O restante do valor da obra, aproximadamente 1 bilhão de reais, deverá ser arrecadado já com a via em operação, por meio da cobrança de pedágio.
De acordo com o projeto do governo de Minas, o Rodoanel compreenderá: a Alça Norte, que vai ligar a BR-381 na saída para Governador Valadares à LMG-806, em Ribeirão das Neves; a Alça Sul, que vai ligar a LMG-806 e a BR-381, na saída para São Paulo; a Alça Sudoeste será ligada à MG-040 na região de Ibirité; a Alça Sul, que vai ligar a MG-040 em Ibirité à BR-040, na saída para o Rio de Janeiro.
Segundo o governo, cerca de 200 famílias, principalmente em Betim e Contagem, e 3.500 imóveis podem ser desapropriados. O início das obras está previsto para março de 2023 e a conclusão, para março de 2027.
* Por Érica Lima.
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