O agravamento do cenário epidemiológico da Covid-19 em Contagem, com o aumento dos casos provocados pela variante Ômicron e a superlotação das unidades de saúde, ligou o sinal de alerta do poder público e dos diversos segmentos sociais da cidade. Nesse sentido, a Câmara de Contagem tem participado ativamente das reuniões promovidas nas últimas semanas pela Prefeitura, para a exposição dos números e para o planejamento das ações de enfrentamento à pandemia.
Nesta terça-feira (25/01), o Legislativo foi representado pela Comissão Cristã no encontro virtual com lideranças religiosas, a fim de reforçar o compromisso do segmento em reforçar as medidas de conscientização e prevenção, de forma a permitir a continuidade das atividades com segurança para todos. Na oportunidade, os vereadores Pastor Itamar (PSC), Daisy Silva (Republicanos) e Léo da Academia (PL) reafirmaram a disposição da Câmara em buscar soluções conjuntas para a questão.
A prefeita Marília Campos conduziu a reunião junto com os secretários de Desenvolvimento Econômico, René Vilela, e de Saúde, Fabrício Simões, e traçou o panorama da Covid-19 em Contagem. Ela lembrou que a pandemia já vitimou quase duas mil pessoas no município e que o cenário atual é de superlotação das unidades de saúde, como nos piores momentos, mas com a diferença de que agora “há elevação no número de contaminados, mas não no número de óbitos”.
Segundo a gestora, “ainda devemos apostar na política da prevenção, sem descuidar da assistência”. Por isso, chamou a atenção para o uso de máscara, álcool em gel e distanciamento, e destacou os números positivos da campanha de vacinação das pessoas acima dos 12 anos – com 90% da população vacinada. No entanto, demonstrou preocupação com os baixos índices de procura da imunização para menores de 11 anos. “Embora nelas o adoecimento seja menor, elas transmitem o vírus aos adultos e afetam em especial aqueles que não se vacinaram”, pontuou.
Nesse sentido, o secretário de Saúde reforçou que a maioria dos internados são os não vacinados contra a Covid, e aqueles que apresentam alguma síndrome respiratória como a H3N2. E ressaltou que a vacina é segura e garante que o número de mortes não acompanhe o número de casos, proporcionando que o adoecimento seja mais leve. “Isso contribuiu para que não fosse preciso propor nenhum tipo de restrição. Mas devemos lembrar sempre que a vacinação não impede a contaminação, mas impede que a pessoa desenvolva sintomas graves que possam levá-la ao óbito”.
Líderes religiosos
Marília Campos convidou as lideranças religiosas para aderir à campanha e influenciar os seguidores a vacinar as crianças e aqueles que ainda não se vacinaram. “É fundamental que, do altar, em seus cultos, missas, celebrações, façam suas recomendações. E que peçam um cuidado redobrado com o uso da máscara, do álcool em gel, da não aglomeração para que possamos, mais uma vez, juntos, vencer este desafio coletivo. Quero convidar a todos e todas a fazer parte desta cruzada que é uma campanha de mobilização e sensibilização para garantir mais saúde no nosso município, fortalecendo o Pacto pela Vida, aderindo ao Pacto pela Saúde”.
Em resposta, a vereadora Daisy Silva ressaltou que o momento “requer força de todos e que vamos vencer juntos”. A pastora e parlamentar relatou a visita a uma UPA, onde pode ver de perto a alta procura por atendimento. “Contem comigo para trabalhar pela conscientização da população pela medidas de proteção e pela vacina”.
O vereador Itamar, pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, parabenizou a Prefeitura pela iniciativa de propor o diálogo. “Precisamos aproveitar este contato mais próximo dos irmãos e irmãs de fé e trabalhar fortemente pela conscientização em relação à adoção das medidas de proteção e da vacinação, que está comprovada como a que salva vidas e não permite que a tragédia das mortes volte a acontecer”. Ele acrescentou que todas as igrejas têm contribuído, e pediu que todos incentivem a realização de cultos on-line, a fim de evitar aglomerações nos salões de celebrações.
Representando as religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, a mãe Norma Cotta de Oliveira afirmou que a comunidade se dispõe a ajudar, disponibilizando espaço se for também necessário. “Entendemos que esse é um desafio de todos. Por isso, estamos à disposição para o que precisar”.
O padre Alan, da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, foi outro que externou seu apoio à intensificação da campanha de vacinação. “Vamos iniciar uma divulgação na paróquia e falar dos cuidados. Não vamos permitir a participação das celebrações sem o uso de máscara, exigiremos o uso do álcool em gel e aferição da temperatura na chegada”. E essas medidas foram bem recebidas também pelo pastor da Assembleia de Deus, Flávio Elias, que declarou que tem percebido que a população tem relaxado.
Por fim, o secretário de Desenvolvimento Econômico reforçou a importância da adesão de toda a sociedade às medidas de proteção. “Precisamos sensibilizar os que não se vacinaram a se imunizarem e que estimulem os pais a vacinar as crianças, para a retomada do ano letivo, além de redobrar os esforços no uso do gel, máscara e distanciamento. Recentemente, o Governo fez o possível para retomar as celebrações, a volta do comércio, intensificou os diálogos com os setores econômicos, mas agora é necessária uma nova força para vencer este desafio”, concluiu.
* Com informações do repórter Jefferson Lorentz/PMC.
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