Representante do Amais destacou os avanços no acompanhamento escolar e a necessidade de mais políticas para os adultos com autismo na cidade.
Como parte da “Jornada Autismo e Cidadania: Conhecimento, Cuidado e Expressão”, a Câmara de Contagem recebeu, na Tribuna Livre da última terça-feira (14/04), uma voz representativa das famílias atípicas do município. Josi Silva, presidente do Amais (Grupo de Apoio a Autistas, Pais e Familiares de Contagem), levou ao plenário relatos e reivindicações por mais políticas públicas voltadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Acompanhada de seu filho Reinaldo, que tem 19 anos e é nível 3 de suporte de TEA, Josi destacou os desafios enfrentados diariamente por famílias de pessoas autistas, sobretudo em relação à falta de compreensão da sociedade e às dificuldades no acesso a serviços de saúde, educação e inclusão social. Em tom firme, ela ressaltou a necessidade de ampliação da rede de atendimento especializado no município, apontando que muitas famílias ainda encontram dificuldades para garantir diagnóstico precoce e acompanhamento adequado.
A representante do Amais também chamou atenção para a importância do acolhimento às mães e cuidadores, frequentemente sobrecarregados pela ausência de suporte contínuo. Ao relatar experiências vividas por integrantes do grupo, reforçou que o debate sobre o autismo precisa ultrapassar datas simbólicas e se consolidar como prioridade permanente nas políticas públicas.
Outro ponto abordado foi a necessidade de maior conscientização da sociedade sobre o TEA, combatendo o preconceito e promovendo inclusão efetiva. Josi defendeu ações educativas e campanhas que contribuam para tornar os espaços públicos e serviços mais acessíveis e preparados para esse público.
Como mãe de um adulto autista, a principal reivindicação, no entanto, foi por mais políticas que atendam esses jovens. “Depois da infância, o autismo continua e os seus direitos também precisam continuar sendo garantidos. Muito tem se avançado no diagnóstico e na inclusão escolar na infância, porém, quando essas pessoas chegam à vida adulta, a realidade muda: falta acompanhamento adequado, faltam políticas de transição e oportunidades reais de inclusão no mercado de trabalho”, pontuou Josi Silva.
“Na idade adulta, muitos permanecem dentro de casa, com atendimento de saúde e educação precários, sem alternativas de esporte e lazer, sem acesso à formação profissional e sem trabalho. Isso gera invisibilidade social e faz com que os autistas sejam esquecidos, assim como seus familiares, que assumem integralmente seus cuidados sem suporte do poder público”, completou.
Para enfrentar essa realidade, a representante do Amais destacou a necessidade de se oferecer “atendimento especializado ao longo da vida, apoio às famílias cuidadoras e programas reais de inclusão no trabalho. Precisamos que o autismo adulto seja pauta prioritária, com ações que garantam inclusão e dignidade para essas pessoas, e uma ferramenta importante nesse sentido é a implantação do Centro Dia, para receber esse público”, concluiu.
Alguns vereadores pediram a palavra para externar seu apoio à causa. Zé Antônio do Hospital (PT) fez um apelo por mais sensibilidade do poder público e mais investimentos no cuidado integral com as pessoas com deficiência.
Didi (PRD), que entregou uma moção de reconhecimento ao Amais (foto), e Arnaldo de Oliveira (Solidariedade) enalteceram a luta do grupo por mais informação, conscientização e garantia de direitos, e concitaram todos os vereadores a buscar, juntos com a administração municipal, a implantação do Centro Dia para atender as famílias de pessoas com TEA.
“Gostaria de parabenizar a Josi, por esse trabalho de muitos anos pela causa das pessoas autistas. E reforço que não deve ser uma causa de uma pessoa só; devemos unir forças para que consigamos uma melhor qualidade de atendimento e de vida, tanto para as pessoas autistas quanto para os cuidadores, que precisam de uma atenção especial. Podem continuar contando conosco”, encerrou o vereador Arnaldo de Oliveira.
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