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Palestra na Câmara aponta adaptações para pessoas autistas no trabalho

17 de abril de 2026, por Leandro Perché

Com o objetivo de informar, conscientizar e capacitar seus servidores e outros profissionais para a inclusão real das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mundo corporativo, a Câmara Municipal de Contagem realizou, na tarde desta quinta-feira (16/04), o workshop “Adaptações para pessoas autistas no ambiente de trabalho”.

Parte da programação da Jornada Autismo e Cidadania: Conhecimento, Cuidado e Expressão, a atividade foi ministrada pela terapeuta ocupacional e professora Dra. Ana Amélia Cardoso Rodrigues, docente do Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFMG. E contou com a participação de mais de 80 pessoas, entre servidores do legislativo, professores e profissionais do atendimento especializado, famílias atípicas, profissionais de equipes multidisciplinares, representantes de associações, entre outros que se dedicam a essa pauta.

O presidente da Câmara, Bruno Barreiro (PV), e a vereadora Adriana Souza (PT), abriram o workshop ressaltando a necessidade de que toda a sociedade se envolva na questão, buscando políticas públicas, conscientização e mudança de mentalidade, de forma a buscar uma adaptação nos espaços públicos e privados para melhor acolher e potencializar as habilidades desse público.

“Estamos cumprindo o nosso papel social de levar conhecimento e informação à população de forma a mudar para melhor a vida das pessoas. Iniciamos no ano passado, de forma singela, com as atividades do ‘Abril Azul’ na Câmara. E ampliamos neste ano com a Jornada, que foi aberta com a exposição da Galeria AUT, com obras de mais de 300 artistas do Brasil inteiro, e tem palestras e outras ações que têm nos dado orgulho, por romper os limites do município”, pontuou Bruno Barreiro.

A Dra. Ana Amélia iniciou a atividade relatando que foi diagnosticada com TEA tardiamente, aos 41 anos de idade, e que isso fez com que ela entendesse muitas das dificuldades que enfrentou no mundo acadêmico e no trabalho. E que muitas pessoas enfrentam desafios maiores na idade adulta por causa do autismo, sobretudo, quando não diagnosticado. A falta de compreensão e o capacitismo, por exemplo, são problemas recorrentes no mundo corporativo.

A especialista apresentou dados do Mapa Autismo Brasil, que apontam que 30% das pessoas autistas estão desempregadas no país, “revelando desafios estruturais de inclusão no mercado de trabalho. Mesmo entre os que trabalham, observa-se distribuição relevante em vínculos informais ou mais flexíveis, como trabalho autônomo, sem carteira assinada ou como pessoa jurídica, o que pode refletir dificuldades de inserção em empregos formais e estáveis”.

Foram apresentados também resultados de outras pesquisas e relatos de pessoas que receberam o diagnóstico após os 30 anos, em relação às dificuldades encontradas no trabalho. Elas apontaram: dificuldade de comunicação implícita, de small talk e leitura de pistas sociais, levando a conflitos interpessoais, isolamento social, exaustão e burnout; ambientes normalmente organizados para neurotípicos, gerando barreiras sensoriais (luz, som, temperatura) e organizacionais (open office e cultura implícita).

E pontou, como alternativas para tornar o ambiente de trabalho mais inclusivo: ajustes sensoriais no local de trabalho; comunicação clara e direta com o colaborador, inclusive com instruções explicitas sobre a função, tarefas e prazos; permitir diferentes formas de comunicação; flexibilização dos horários de trabalho; previsibilidade, com cronogramas de trabalho e tarefas estruturadas; não exigir que se comportem como os outros; treinamentos para conscientização e adaptação da equipe, e para a pessoa autista cumprir sua função laboral.

“Não é o indivíduo que deve se adaptar ao ambiente, mas o contrário. Devemos oferecer equidade, com adaptações necessárias dentro das possibilidades. A experiência de trabalho de adultos autistas é fortemente influenciada por barreiras ambientais, fatores sociais e atitudinais. E o melhor caminho é escutar diretamente pessoas autistas e adaptar o ambiente de trabalho. A implicação prática é que a inclusão eficaz depende de mudança estrutural, não individual”, resumiu.

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