Um dia depois do tumulto entre servidores da Saúde e da Educação na porta da Prefeitura de Contagem, os vereadores comentaram a situação durante a reunião ordinária, realizada nesta terça-feira (26). O acontecimento tomou grandes proporções, com a divulgação do ocorrido na grande imprensa.
Em uma ação conjunta, servidores municipais da Saúde e da Educação de Contagem – paralisados há sete e 35 dias, respectivamente – ocuparam a Sede do Executivo, no intuito de forçar negociações referentes a reajustes salariais e melhores condições de trabalho.
A Guarda Municipal de Contagem (GMC) e a Polícia Militar (PMMG) foram acionadas, na manhã desta segunda-feira (25), para conter a entrada de mais manifestantes da Educação, além dos que já se encontram acampados no hall da sede do Executivo. Na ocasião, teriam sido usados cassetetes e spray de pimenta contra os manifestantes.
O vereador Rodinei Ferreira (PSD) iniciou a discussão, comentando os atos praticados pela PMMG e GMC contra os grevistas. A princípio, Rodinei fez uma comparação com o tratamento que os servidores manifestantes tiveram, na última semana, quando ocuparam a presidência da Câmara e depois o plenário, com o tratamento que vêm recebendo na Prefeitura.
Depois, legitimou a luta das duas categorias, considerando que, com a falta de reajuste dos dois últimos anos, os servidores “já acumulam perda salarial de mais de 25%, sem condições de trabalho e dignidade”.
A mesma opinião foi corroborada pelos vereadores Paulo Prado (PV) e também pelo Professor Irineu Inácio (PSD). Irineu destacou a necessidade de intervenção por parte das Comissões Externas de Saúde e Educação da Câmara na situação, com o objetivo de convencer o Governo a abrir um canal de diálogo e negociação, para que as paralisações tenham fim.
“Estamos sentindo radicalismo dos dois lados e isso não vai resolver. Precisamos, de fato, criar condições para solucionar esse impasse, e quem precisa abrir o canal é o Governo. Esta Casa precisa agir, por meio das comissões, buscando promover o diálogo entre o Executivo e a categoria”, finalizou Irineu.
Alex Chiodi (SD) chamou a atenção, por sua vez, para os efeitos desse acontecimento para a história da cidade e para a imagem da Guarda Municipal. Alex reforçou o seu respeito e admiração pela GMC, mas alertou sobre os prejuízos da ação. “Não entro no mérito se a ocupação ajuda ou não nas negociações, mas tem que haver respeito pelos trabalhadores, pela história de Contagem e pela democracia, na qual todos têm o direito de manifestar”.
Alex finalizou a discussão informando que o secretário municipal de Administração, Amarildo de Oliveira, recebeu as comissões dos sindicatos na tarde de ontem e deve apresentar, ainda nesta terça-feira, uma proposta de negociação.
Durante a discussão, o presidente da Câmara, vereador Gil Antônio Diniz – Teteco (PMDB), deixou livre a saída de parlamentares das Comissões de Saúde e Educação que quisessem acompanhar pessoalmente a situação na Prefeitura.
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