A edição do projeto Cultura na Câmara deste mês reacendeu, no Legislativo Municipal, o debate sobre a importância da economia solidária para o desenvolvimento sustentável de Contagem. Na última terça-feira (10/08), foi lançado, em plenário, o livro infantil “O dia em que a Terra voltou a sorrir”, da jornalista e escritora contagense Paula Emmanuella Fernandes.
Oitava obra da autora, o livro conta a história do cachorrinho Luli, que veio de um planeta chamado Cooperação, por meio da ajuda do cometa Solidariedade. Na Terra, Luli faz grandes amigos e ensina a todos o que é economia solidária e como ajudar pessoas que queiram trabalhar sem fazer mal ao meio ambiente.
Acompanhada do designer e ilustrador Sergio Neres, do palestrante e consultor Marcos Antônio da Silva, e do presidente da Força Associativa Nacional (FAN), Cauby Morais – todos, colaboradores da obra –, Paula Fernandes distribuiu exemplares e falou da importância da literatura infantil em tratar temas socialmente relevantes e ajudar na formação de cidadãos mais conscientes.
“Quando pretendemos lançar um livro na Câmara, temos que pensar que a política não é apenas um local, é a forma como a gente olha o outro e como lidamos com a humanidade, se é de forma inclusiva, respeitosa e coletiva. Quando surgiu a ideia de escrever este livro, cujo tema é economia solidária, muitos questionaram se seria sobre caridade, mas é o contrário. Economia solidária é pensar na coletividade, no desenvolvimento sustentável e em deixar um ambiente saudável para as próximas gerações”, explicou a autora.
Marcos da Silva, que é especialista sobre o tema, enalteceu a Câmara de Contagem por fomentar o debate sobre cultura, e agradeceu o espaço. “Temos trabalhado, há oito anos, com um programa de combate à extrema pobreza, que tem como princípio a economia solidária. É uma forma diferente de desenvolver nossa economia, compreendendo que cooperar é melhor que competir. E esse livro é sobre como podemos ensinar nossas crianças a enxergar a vida e o mundo, de uma maneira mais cooperativa”, destacou.
“Queremos percorrer o Brasil com essa ideia e essa discussão, e é um privilégio começar por essa Casa Legislativa, que uma das poucas que discutem cultura e é um dos parlamentos municipais mais importantes do Brasil, pois Contagem é maior que 11 capitais federais”, completou o consultor.
Apoiador cultural do livro, Cauby Morais explicou a importância do associativismo, citando o exemplo das cooperativas de proteção veicular, ramo em que atua e que tem crescido em Contagem. “A obra potencializa o associativismo como um arranjo social para construirmos soluções e oportunidades. E livros como esse ajudam a desenvolver uma geração melhor”.
Por fim, o presidente da Câmara, vereador Alex Chiodi (Solidariedade), reafirmou o compromisso da Casa em debater temas relevantes para a sociedade e o papel do projeto Cultura na Câmara em incentivar os artistas contagenses e as manifestações culturais de Contagem.
A versão digital do livro “O dia em que a Terra voltou a sorrir”, assim como as outras obras – que tratam de temas importantes, como dislexia, síndrome de Down, eleições, refugiados, pandemia, entre outros – podem ser acessadas e baixadas no site livrolandia.art.br.
Economia Solidária em Contagem
Em âmbito municipal, a Lei 4025/2006 “cria diretrizes e estabelece princípios fundamentais e objetivos da Política Municipal de Fomento à Economia Popular e Solidária de Contagem” (Ecosol). Entre seus princípios estão: o bem-estar e justiça social; o primado do trabalho, com o controle do processo produtivo pelos trabalhadores; a valorização da autogestão, da cooperação e da solidariedade; e o desenvolvimento sustentável.
Essa legislação regula os incentivos a essa prática; os fundamentos da política de fomento; seus beneficiários; a execução e implantação desse instrumento e de suas ações; a incubação dos empreendimentos de economia popular solidária; o monitoramento e avaliação dessa política; os recursos e integração com outros projetos e atividades; a criação do Fundo Municipal de Trabalho e Renda Solidária; o conselho gestor; e a certificação com o Selo Solidário.
Durante a última gestão da Câmara, os parlamentares aprovaram um projeto de lei (PL051/2019) do então vereador Alessandro Henrique, que alterava a legislação, garantindo benefícios para a Economia Solidária em Contagem. Entre as conquistas, estão: a possibilidade de instalação de um ponto fixo da Economia Solidária em cada regional da cidade; a reserva de 30% das vagas para expositores da Ecosol em eventos particulares realizados em espaços públicos de Contagem e o incentivo à promoção de eventos próprios.
Considerando as novas diretrizes, a atual gestão municipal já realizou, neste ano, uma série de atividades de incentivo e fomento à Economia Solidária, incluindo o cadastro anual de empreendimentos; reunião por parceria com a UFMG para formação de empreendedores; uma feira da Ecosol na Prefeitura; e abertura de ponto fixo da Economia Solidária no CSU Amazonas.
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