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Laço Branco: o compromisso dos homens pelo fim da violência contra a mulher

8 de dezembro de 2025, por Marco Túlio de Sousa

A violência ainda faz parte da realidade de muitas brasileiras. De acordo com pesquisa do Instituto DataSenado, 3,7 milhões de mulheres sofreram algum tipo de agressão em 2025. O número quase triplica quando consideradas outras formas de violência, como as praticadas em ambientes digitais. Nesses espaços, quase 9 milhões de mulheres relataram ter sido vítimas de ataques, entre eles mensagens ofensivas e ameaçadoras, invasão de contas e dispositivos pessoais, além da divulgação de informações falsas nas redes sociais.

Essa realidade tem levado o poder público e a sociedade civil a organizarem ações com a finalidade de pôr fim à violência contra a mulher. A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), a criação de conselhos de políticas para as mulheres nas esferas municipal, estadual e nacional, a instalação de delegacias especializadas e a realização de campanhas por movimentos sociais e instituições públicas e privadas são exemplos desse compromisso.

Somando-se a essas iniciativas, a campanha Laço Branco tem como diferencial o engajamento dos homens pelo fim da violência contra a mulher. A mobilização tem início em 6 de dezembro, data que corresponde ao Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres, instituído pela Lei nº 11.489, de 2007. A escolha do dia remete ao massacre ocorrido na Escola Politécnica de Montreal (Canadá), em 6 de dezembro de 1989, quando 14 mulheres foram assassinadas por um homem movido por ódio de gênero.

Vereador Denilson da JUC (Mobiliza). Foto: Cleide Amaral.

O crime impulsionou a mobilização masculina em defesa da causa. No primeiro ano da campanha, foram distribuídos cerca de 100 mil laços brancos, sobretudo entre 25 de novembro e 6 de dezembro. Desde então, a iniciativa tem se fortalecido em diversos espaços. Em Contagem, foi promulgada neste ano a Lei nº 5.580/2025, de autoria do vereador Denilson da JUC, que institui o Dia Municipal de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

De acordo com o parlamentar, trata-se de uma luta que não deve ser “apenas das mulheres, mas sim uma luta coletiva, especialmente nossa, dos homens, que precisamos assumir o compromisso ativo de desconstruir comportamentos machistas e promover uma cultura de respeito, igualdade e paz”. Segundo ele, a inclusão da data no calendário oficial do município cria oportunidade para a realização de “ações educativas, campanhas de conscientização e engajamento da sociedade como um todo, na prevenção e no enfrentamento da violência contra a mulher”.

A atuação do Legislativo municipal também se reflete em outras iniciativas. Nas reuniões plenárias dos dias 25 de novembro e 2 de dezembro, a Câmara recebeu, na Tribuna Livre, representantes do Conselho Municipal da Mulher e do Comitê Interinstitucional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher de Contagem, que apresentaram dados, ações do poder público e debateram o tema com os parlamentares. Além disso, vereadores e servidores passaram a utilizar o laço branco em reuniões, como forma de reforçar o simbolismo da campanha e a importância da causa.

O compromisso de parlamentares homens da Câmara de Contagem também se expressa por meio da apresentação de projetos que, além de combaterem a violência de gênero, buscam ampliar a autonomia das mulheres. Este ano, foram aprovados na Casa e aguardam sanção da prefeita Marília Campos (PT): a Política Municipal de Fomento à Empregabilidade de Mães Atípicas (PL nº 367/2025, de autoria de Rodrigo do Posto); o Programa de Incentivo ao Emprego de Mães Solo (PL nº 296/2025, de Pedro Luiz); e o Programa de Prevenção à Gravidez Precoce e Incentivo ao Planejamento Familiar (PL nº 48/2025, de Daniel Carvalho).

Outras matérias já foram sancionadas e passaram a integrar a legislação do município, como a Lei nº 5.568/2025, que dispõe sobre a prioridade de mulheres vítimas de violência doméstica em programas sociais e habitacionais (Daniel Carvalho); a Lei nº 5.563/2025, que institui o Dia Municipal da Mulher Advogada (Daniel Carvalho); a Lei nº 5.667/2025, que cria o Mês do Luto Gestacional, Neonatal e Infantil (Adilson Lamounier); a Lei nº 5.585/2025, que amplia a vedação de agressores em cargos públicos (Daniel Carvalho); a Lei nº 5.586/2025, que institui o Mês Maio Furta-Cor, voltado à saúde mental materna (Daniel Carvalho e Silvinha Dudu); e a Lei nº 5.558/2025, que estabelece matrícula prioritária para mulheres vítimas de violência doméstica na rede municipal de ensino (Daniel Carvalho).

Vereador Daniel Carvalho (PSD). Foto: Cleide Amaral.

Para o vereador Daniel Carvalho (PSD), é necessário ampliar o envolvimento dos homens nesse debate. “A gente vem de décadas vivendo essa questão do machismo, e muitos homens acham que são donos das mulheres. As mulheres andam nas ruas com medo. Muitas são assassinadas, não se sentem seguras no transporte público, sofrem assédio e violência, inclusive no ambiente virtual. Sou homem, mas também sou filho, tenho mãe, companheira e filha, e gostaria muito que mais homens se interessassem por esse debate”, afirmou. O parlamentar também tem defendido, nas plenárias, a criação de um fundo municipal voltado às mulheres, com o objetivo de viabilizar financeiramente projetos de valorização e proteção.

Vereadora Carol do Teteco (MDB). Foto: Cleide Amaral.

Segundo a presidente da Procuradoria da Mulher da Câmara de Contagem, Carol do Teteco, a mobilização dos homens é fundamental. “O apoio dos homens é de grande relevância para nós, mulheres. A violência contra a mulher não é um problema exclusivo das mulheres, mas de toda a sociedade. Que cada homem possa, nos espaços em que atua, agir de forma a evitar que esse tipo de comportamento se repita. Que possamos, juntos, mulheres e homens, promover leis e projetos que protejam as mulheres e transformem pensamentos e comportamentos que perpetuam a violência”, destacou.

Orientação à população

Se você é vítima de violência ou conhece alguma mulher que esteja passando por essa situação, ligue 180 e solicite orientações na Central de Atendimento à Mulher. O serviço oferece informações sobre leis, direitos e serviços da rede de atendimento, além de registrar e encaminhar denúncias aos órgãos competentes. Em casos de emergência, acione a Polícia Militar pelo 190.

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