ACESSO RÁPIDO
acessibilidade

Libras: 24 anos de reconhecimento e avanços na inclusão no Brasil

24 de abril de 2026, por Lorena Carazza

Há 24 anos, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida oficialmente como meio legal de comunicação e expressão, com a sanção da Lei nº 10.436, de 2002. Por isso, comemora-se, em 24 de abril, o Dia Nacional da Libras — data que simboliza não apenas um marco jurídico, mas também o reconhecimento da identidade linguística e cultural da comunidade surda brasileira.

Mais do que instrumento de comunicação, a Libras representa pertencimento, autonomia e cidadania. Ao longo das últimas décadas, avanços na legislação e nas políticas públicas têm ampliado sua presença em espaços educacionais, institucionais e sociais, fortalecendo o direito à inclusão e ao acesso à informação.

Um pouco de história

No Brasil, a língua de sinais tem como base a Língua de Sinais Francesa, que, combinada à comunicação gestual já utilizada por pessoas surdas no País antes de 1857, deu origem ao que hoje se reconhece como a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A influência francesa está relacionada à fundação do Imperial Instituto de Surdos-Mudos, em 1857, no Rio de Janeiro, pelo professor francês Ernest Huet, que perdeu a audição ainda na infância em decorrência de uma enfermidade.

Embora já fosse utilizada no Brasil, a língua de sinais passou a ser marginalizada a partir de 1880, quando o Congresso de Milão — encontro internacional que discutiu métodos de ensino para pessoas surdas — definiu a oralização como abordagem predominante. Como consequência, a Libras foi proibida em diversos contextos educacionais e permaneceu sendo usada informalmente por muitos anos.

Legislação

A Lei nº 10.098, de 2000 (Lei de Acessibilidade), foi a primeira a tratar, ainda que indiretamente, da Língua Brasileira de Sinais, ao estabelecer normas gerais de acessibilidade e fundamentar, em seu art. 18, o uso de recursos de comunicação nos serviços públicos.

O principal marco legal, contudo, é a Lei nº 10.436, de 2002, que reconheceu a Libras como meio legal de comunicação e expressão, impulsionando sua difusão e o estímulo ao ensino em todo o País.

Em 2005, o Decreto nº 5.626 regulamentou essa lei e estabeleceu, entre outras medidas, a inclusão da Libras como disciplina obrigatória na formação de professores, pedagogos e fonoaudiólogos, além de definir diretrizes para a formação de intérpretes.

A Lei nº 12.319, de 2010, regulamentou a profissão de tradutor e intérprete de Libras, definindo suas atribuições e campos de atuação, o que contribuiu para a ampliação do acesso à comunicação por pessoas surdas.

Em 2014, a Lei nº 13.055 instituiu o Dia Nacional da Libras, celebrado em 24 de abril, em referência à data de sanção da Lei nº 10.436, de 2002.

Já a Lei nº 13.146, de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), assegura a acessibilidade comunicacional e determina a oferta de recursos, como intérpretes de Libras, quando necessário, fortalecendo os direitos das pessoas surdas nos serviços públicos, na educação e na saúde.

Outra norma relevante é a Lei nº 9.394, de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), que fundamenta a educação inclusiva e subsidia políticas voltadas à educação bilíngue e à inserção da Libras no ensino.

Libras na Câmara de Contagem

Com o objetivo de promover a inclusão da comunidade surda e ampliar o acesso à informação, a Câmara Municipal de Contagem tem adotado, desde 2021, medidas voltadas à acessibilidade comunicacional. Entre as iniciativas, destaca-se a presença de intérpretes de Libras em todas as reuniões plenárias e solenidades, inclusive nas transmissões ao vivo pela internet.

Em 2022, o concurso público da Câmara passou a prever vagas para intérpretes de Libras, garantindo a inclusão desses profissionais no quadro efetivo da instituição. No mesmo ano, a Escola do Legislativo implementou o projeto “Libras sem Fronteiras”, que capacitou servidores em noções básicas da língua. A iniciativa foi premiada no Fórum Internacional Minas Gerais Cidades Inteligentes e já alcançou cerca de 100 participantes entre 2022 e 2026.

Mais recentemente, foi aprovada a Lei nº 5.618, de 2025, que torna obrigatória, em Contagem, a presença de intérprete de Libras em eventos culturais privados com público estimado superior a 500 pessoas, assegurando a acessibilidade comunicacional. A lei teve origem em um projeto de lei de autoria do vereador Mauricinho do Sanduíche.

Veja mais notícias

Contagem ganha Frente Evangélica na Câmara Municipal

Dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a população evangélica no Brasil tem apresentado um cresciment...

29 de outubro, por Leandro Perché

Legislativo aprova projeto que amplia acesso à saúde de pessoas em ...

Os vereadores de Contagem aprovaram nesta terça-feira, 27/10, o Projeto de Lei 158 de 2026, que se destina a facilitar o acesso a serviços de saúde...

28 de outubro, por Marco Túlio de Sousa

Ponto facultativo na próxima sexta-feira (30/10)

Pela Portaria da Presidência 014 de 2026, publicada no Diário Oficial do Município (16/10), a Câmara de Contagem declara ponto facultativo na próxi...

27 de outubro, por Marco Túlio de Sousa
Todos os direitos reservados a Câmara Municipal de Contagem