A coleta seletiva e a reciclagem estiveram em destaque durante a Tribuna Livre da 17ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Contagem. O espaço foi utilizado para discutir a importância da destinação correta dos resíduos sólidos e o papel desempenhado pelos catadores de materiais recicláveis na promoção da sustentabilidade e da inclusão social.
Considerada uma das principais ferramentas para a gestão adequada dos resíduos urbanos, a coleta seletiva contribui para a redução da quantidade de lixo encaminhada aos aterros sanitários, possibilita o reaproveitamento de materiais que seriam descartados e ajuda a preservar recursos naturais. Além dos benefícios ambientais, a atividade possui um importante impacto social e econômico, ao gerar trabalho e renda para milhares de famílias que atuam na cadeia da reciclagem.
As cooperativas de catadores exercem papel fundamental. Responsáveis pela triagem, separação e encaminhamento dos materiais recicláveis para a indústria, esses trabalhadores colaboram diretamente para o funcionamento da economia circular, modelo que busca reinserir os resíduos no ciclo produtivo e reduzir desperdícios.
Para falar sobre o tema, participaram da Tribuna Livre Marly Firmino e Erci Maria Gomes Ribeiro, representando a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Contagem (ASMAC) e a Rede Solidária de Contagem (Coopercata). Durante suas falas, elas destacaram a relevância da conscientização da população, e da importância do trabalho realizado pelos catadores sob a perspectiva ambiental, social e econômica.
Segundo Marly, a Asmac – que completa em 2026 24 anos de existência – tem apresentado um satisfatório crescimento, contando com o apoio da Prefeitura de Contagem. Também, aproveitou para convocar toda a sociedade civil a fazer parte deste importante trabalho ambiental. “Eu volto a insistir, sempre que estou dando um depoimento: a coleta seletiva é importante e começa dentro de casa”, disse.
Compartilhando sua trajetória como catadora de material reciclável, que começou em 2008, Erci destacou a relevância social e econômica da atividade. “Hoje, estou no aterro com mais 38 pessoas. São 38 famílias que têm ali seu trabalho e geração de renda. É importante que quem ainda não faz [a coleta], comece a pensar”, finalizou. Marly completou: “Hoje, se vocês forem na Asmac vão ver que são 74 famílias, gente estudando e se formando, mães que podem comprar uma geladeira, comprar um fogão. Essa é a importância de cada um fazer a sua parte”.
Em aparte, o vereador Zé Antônio do Hospital (PT) parabenizou o trabalho dos catadores analisou que a coleta, em Contagem, ainda é “aquém do que deveria para a terceira maior cidade do estado”. Já a colega de partido, vereadora Moara Saboia, que convidou as associações para a participação na Tribuna, anunciou, para o dia seguinte, uma reunião das associações com o prefeito Ricardo Faria, a fim de que seja discutido um valor justo para esse serviço, “que tem que ser justo e tem que trazer dignidade para os catadores. Afinal de contas, não tem como falar de proteção do meio ambiente, de mudanças climáticas, de nenhum desses assuntos, sem falar com esse serviço que vocês prestam com tanto apreço na nossa cidade”, disse.
Legislação
A coleta seletiva e a reciclagem são incentivadas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei Federal nº 12.305/2010. Considerada um marco na gestão ambiental brasileira, a legislação estabelece princípios, objetivos e instrumentos para a gestão integrada e o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos em todo o país.
Entre os principais objetivos da política estão a redução da geração de resíduos, o estímulo à reutilização e à reciclagem de materiais, a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos e a proteção da saúde pública e do meio ambiente. A lei também introduziu o conceito de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, atribuindo deveres ao poder público, às empresas e aos consumidores.
Outro ponto importante da PNRS é o reconhecimento dos resíduos recicláveis como bens econômicos capazes de gerar trabalho, renda e cidadania. A legislação prevê ainda a participação e o fortalecimento das cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis, reconhecendo o papel desses trabalhadores na cadeia da reciclagem e na promoção da sustentabilidade.
Para os municípios, a lei estabelece a responsabilidade pela implementação de sistemas de coleta seletiva e pela elaboração de políticas de gestão dos resíduos sólidos, buscando ampliar a reciclagem e reduzir o volume de materiais destinados aos aterros sanitários.
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