Durante três dias, o plenário da Câmara Municipal de Contagem trocou os debates legislativos pelos embates jurídicos. Nesta sexta-feira (12/06), o projeto Câmara Aberta, da Escola do Legislativo, recebeu o encerramento de mais uma edição júri simulado promovido pela Funec Cruzeiro do Sul (CDS). A iniciativa levou estudantes do Ensino Médio a vivenciarem, na prática, o funcionamento do sistema de Justiça e os desafios da construção da cidadania.
Ao longo da programação, iniciada na quarta-feira (10/06), sete turmas participaram das simulações, assumindo funções como juízes, promotores, advogados, peritos, testemunhas, réus e imprensa. Os casos julgados foram elaborados pelos próprios estudantes a partir de temas sociais contemporâneos, ou reproduzidos a partir de situações reais, exigindo pesquisa, análise crítica, argumentação e domínio da comunicação oral. A preparação envolveu dois meses de estudos e ensaios orientados pelos professores.
“Esse processo é para destacar a cidadania dos jovens. Escolhemos questões sociocientíficas controversas que podem ser, por exemplo, temas de redação do Enem – violência contra a mulher, abuso de idosos, abandono de crianças –que têm impacto na vida deles e na sociedade. E, a partir disso, os alunos criam o roteiro de casos, constroem o júri simulado e cumprem várias funções no caso, com base nas suas aptidões, resultando nesse show de cidadania”, destaca o professor Gleison Paulino Gonçalves, coordenador do projeto.
Além da experiência em plenário, a atividade contou com recursos tecnológicos desenvolvidos especialmente para o projeto, incluindo sistemas de votação anônima, avaliação por examinadores, projeção digital de provas periciais e controle das etapas processuais. “É educação pública municipal unindo cidadania, interdisciplinaridade e tecnologia”, acrescenta o professor.
A iniciativa recebeu o reconhecimento de autoridades e gestores municipais, que destacaram a importância de aproximar os jovens das instituições democráticas e estimular competências para a vida acadêmica, profissional e cidadã.
“O projeto Câmara Aberta desta Casa recebe estudantes de vários níveis e áreas, incentivando a educação para a cidadania e aproximando a juventude do poder público. É uma alegria receber iniciativas como o júri simulado, que demonstra o interesse, a dedicação e a qualidade dos alunos, além da excelência da Funec”, afirmou o presidente da Câmara, Bruno Barreiro (PV).
A vereadora Adriana Souza (PT) ressaltou que, “principalmente, enquanto professora, é muito bom ver os estudantes ocupando a Casa do Povo, não apenas do ponto de vista educacional, mas também político. Essa ação aproxima a Câmara, principalmente, da juventude, que precisa entender como funcionam os mecanismos legislativos e administrativos da nossa cidade, contribuindo para que tenham uma formação mais crítica e autônoma”.
Os representantes da Funec agradeceram a Câmara pela oportunidade e parabenizaram os estudantes e os professores pelo projeto. “É um trabalho que permite aos alunos uma vivência profunda de questões sociais, práticas e debates que podem dar a eles sinais claros de quais profissões querem seguir ou não”, destacou a presidente da Fundação, Renata Laureano. “Um trabalho interdisciplinar, que envolve várias áreas do conhecimento, diversos professores e ações, contribuindo para o crescimento dos estudantes em todos os sentidos”, completou professor Donizete, diretor da Funec CDS.
Alunos aprovam
Nos três dias de atividades, cada turma trabalhou um tema diferente, todos atuais e socialmente sensíveis: feminicídio, negligência médica, uso indevido de medicamentos (Mounjaro), eutanásia, “justiça com as próprias mãos” e o caso Suzane von Richthofen. O que se viu no plenário da Câmara foram estudantes comprometidos e completamente envolvidos nos papéis que lhes foram atribuídos no júri simulado. Sobretudo promotores e advogados de defesa utilizaram todos os artifícios para que seu lado sobressaísse nos casos.

A estudante Bruna Stephany, do 3º ano, fez o papel da ré Suzane von Richthofen, e até chorou durante sua exposição. “O júri dá visibilidade para o potencial de cada aluno. Para me preparar, assisti o primeiro filme – ‘A Menina que Matou os Pais’ – e comecei a ver a minissérie ‘O Menino que Matou meus Pais’. Depois, não tive muito tempo, mas continuei estudando, principalmente nos últimos dias, o caso e as minhas falas. Estava nervosa, mas confiante que ia dar certo, porque já havia sido ré no primeiro ano, e falei no púlpito. Então, até por ser comunicativa, consegui cumprir bem o papel”, comemorou.
Com atuação firme e destacada, Samara Souza, também do 3o ano, foi promotora no caso hipotético de “justiça com as próprias mãos”, conseguindo, a condenação do réu. Ela pontuou a importância atividade para sua formação, especialmente, pelo fato de querer seguir carreira na política.
“Minha turma participou desse trabalho no primeiro ano e adorou fazer. A nossa sala gosta de criar os casos, não usar algo pronto, e isso é muito importante para nossa construção enquanto estudante e cidadão, para o ENEM, para redação. É um trabalho que nos expõe a casos que nos impacta enquanto sociedade, a crimes que nos obriga a pensar, a refletir a estudar, por exemplo, o Código Penal, a calcular pena. E isso não apenas nos oferece muito conhecimento como ajuda a nos formar como cidadãos”, afirmou Samara.
Destaque por sua seriedade no papel de juíza, Rayssa Caroline, do 2o ano, celebrou a chance de viver um pouco de seus dois sonhos de infância – de ser juíza e atriz – e destacou que essa é a principal virtude da atividade, pois permite que cada um atue conforme suas aptidões.
“Esse projeto aprimora a nossa experiência, faz com que enfrentemos, por exemplo, o desafio do nervosismo de falar em público – e acredito que até um juiz de verdade fica nervoso nesse momento. Esse treinamento que a Funec nos proporciona é muito importante, os professores nos auxiliam muito, a CDS tem um trabalho incrível em priorizar a criatividade do estudante e esse é um exemplo claro disso, pois eles dão um show e nos desenvolvemos muito bem”.
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