Servidores da Educação pedem apoio da Câmara por melhores condições de trabalho

Os vereadores de Contagem receberam, na tribuna livre desta terça-feira (06), dois representantes dos servidores da Educação do Município, que relataram a situação da categoria e pediram apoio da Câmara nas negociações com a Prefeitura por melhores condições de trabalho. Em greve desde o dia 23 de abril, os servidores estiveram em peso no plenário do Legislativo acompanhando Gustavo Olímpio e Gabriela de Aquino Campos, membros do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação (Sind-UTE).

Participante do comando de greve e da comissão de negociação, Gabriela Campos iniciou sua fala expressando indignação em relação ao tratamento para com a categoria. “Este governo exige encerramento da greve, que é um direito constitucional, para continuar as negociações, e julga que as nossas reivindicações se resumem ao salário dos professores, o que não é verdade”, disse a professora. “Buscamos aumento de salário sim, mas para todos, e uma educação de qualidade através de melhores condições para os trabalhadores e estudantes”, acrescentou.

A professora ressaltou que a greve foi deflagrada após duas reuniões com representantes do governo, que alegaram não ter conhecimento ou entendimento da pauta de reivindicações. “Após horas de conversa, não apresentaram propostas concretas”, reclamou a servidora, acrescentando que, nesses encontros, apenas foram “reafirmadas algumas promessas passadas que não caminharam”.

Dentre as propostas “reapresentadas”, Gabriela destacou a concessão de uma gratificação para agentes de educação infantil que concordarem em aumentar sua carga horária de 30 para 40 horas semanais, o que, segundo ela, representaria “mais trabalho sem garantias”; o decreto de regulamentação de férias prêmio; e a promessa de adesão a um plano odontológico, previsto para maio. “O plano de saúde, que é promessa de campanha, está em eterna fase de finalização”, criticou.

Diante disso, Gabriela Campos pediu a participação da Câmara nas negociações. “Estamos na Casa do Povo solicitando o apoio de todos os vereadores, principalmente da Comissão de Educação, para que intercedam por nossa categoria. Assim que receberem projetos do governo, que nos repassem, para que possamos fazer um estudo, e que a tribuna seja aberta para debatermos. E, quando esses projetos vierem a voto, que sejam individuais e não em bloco, buscando a legitimidade e a transparência do processo”, concluiu a servidora da educação.

Greve como alternativa

Acompanhando o discurso, Gustavo Olímpio destacou que a greve foi a única alternativa encontrada pelos servidores da educação. “Os meus companheiros da educação pública de Contagem não se calam diante do descaso e do ‘descompromisso’ dos governos com a educação. Minha companheira falou bem dos motivos da greve: não foi a falta de vontade de negociar ou a intransigência da categoria. A greve foi a única arma que tivemos para sermos ouvidos pelo governo”.

De acordo com Olímpio, a categoria não aceitará o parcelamento do reajuste que está sendo discutido (5,8%) e a falta de debate sobre os projetos que serão encaminhados à Câmara. “Diante do orçamento municipal de R$ 1,5 bilhão e do fato de Contagem ser a terceira economia do Estado, acreditamos ser possível oferecer um reajuste melhor e melhores condições de trabalho”, destacou.

O representante do Sind-UTE questionou, ainda, os gastos do Município com os vencimentos de secretários municipais, gestores e assessores comissionados, além da falta de diálogo com o governo e de transparência no sistema previdenciário municipal. Falou também da suposta falta de estrutura na Fundação de Ensino de Contagem (Funec) e do sucateamento das escolas municipais.

Em conclusão, ambos defenderam a paralisação. “Alguns falam que a greve está prejudicando a educação. Mas não é a greve, e sim o descaso de anos com essa educação”, destacou Gabriela em seu discurso. “Não é uma greve por salários, mas pela defesa da educação pública de qualidade. Estamos abertos ao diálogo e queremos apoio desta cidade e de seus representantes”, concluiu Olímpio.

Vereadores se pronunciam

William Barreiro (PTdoB) e Alex Chiodi (SDD) foram os parlamentares a discursar sobre o assunto. No mesmo tom dos representantes do Sind-UTE, o primeiro criticou a gestão municipal. “Dizem que não têm dinheiro, mas gastam valores absurdos fazendo propaganda do Restaurante Popular na TV. E há o problema da falta de diálogo, que não prejudica só a categoria, mas todo o povo contagense. A cidade merece e precisa de mais respeito”, resumiu William Barreiro.

Presidente da Comissão de Educação da Câmara, Chiodi destacou a participação do Legislativo de Contagem em conquistas da categoria e garantiu o empenho dos vereadores na questão. Em seguida, anunciou que, por solicitação da comissão, o comando de greve será recebido pelo governo na próxima quinta-feira (08). “Não apenas a comissão, mas todos os vereadores vão acompanhar e participar ativamente, dentro de nossas competências, para avançarmos nestas questões”.

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